Barra Livros e Cursos Editora Ltda
www.barralivros.com
logo2.png








Clique aqui para investir na sua qualificação e na de pessoas que quer bem.


Este livro também pode ser encontrado nas principais livrarias do País.


Veja links abaixo para algumas lojas com vendas online:



Caso prefira, clique  aqui e preencha o formulário com seu pedido. 

Ou encaminhe  e-mail  para vendas@barralivros.com.

As condições de preços são as mesmas constantes da lojabarralivros, com descontos vigentes no momento da compra ou de eventual cupom de desconto que vier a apresentar. 



OBS: Se não estiver encontrando o livro em sua livraria de preferência, temos em estoque para compras diretas da Editora, por e-mail, pelo formulário e pela loja www.lojabarralivros.com







Investigação sobre o possível


Sinopse 

Quando contaram a Voltaire que no cimo dos Andes tinha sido achado o fóssil de um peixe, ele interpretou o achado como fraudulento: isso era impossível.

Outras coisas que, no tempo de Voltaire, seriam consideradas impossíveis: o avião, o automóvel, a geladeira, a televisão, e assim por diante.

O que é possível? E o que é impossível?

Para responder a essas perguntas, o autor nos guia nas páginas deste livro, construído ao modo de uma investigação. Ele é, em parte, uma obra de filosofia das ciências, porque pesquisa a natureza do conhecimento científico; e é, de alguma forma, um livro de teoria do conhecimento e de ontologia, porque coteja o saber científico com o filosófico, indaga sobre o alcance do conhecimento, e pesquisa a natureza da realidade.

Ao fim da investigação, uma surpresa aguarda o leitor, posto perante outros tipos de realidade: a que existe em outros mundos possíveis.

 

Autor

Sérgio Sérvulo da Cunha nasceu em Santos, em 1935. Formou-se em Direito e Filosofia pela USP. Foi procurador do Estado de São Paulo, vice-prefeito de Santos e secretário municipal de Assuntos Jurídicos. No Conselho Federal da OAB, coordenou a comissão que atuou na Constituinte de 1987-1988. No Ministério da Justiça, foi chefe de gabinete do ministro Márcio Thomas Bastos. É autor de vários livros de Direito e Filosofia.

É casado com Yara Paolozzi, tem cinco filhos e sete netos.



INTRODUÇÃO


Para o entendimento humano é absolutamente necessário

distinguir a possibilidade e a realidade das coisas.
Kant (Crítica da faculdade de julgar)



Todos já ouvimos falar de Voltaire (1694-1778), que costuma ser citado como exemplo de valor moral e intelectual. Pensador antidogmático, dotado de agudo espírito crítico, preocupava-se em submeter todas as suas ideias ao escrutínio da razão. Foi ferrenho adversário do clero e da Igreja Católica.

Certa vez, ao lhe contarem que no pico dos Andes tinha sido encontrado o fóssil de um peixe, Voltaire, rindo-se como de uma piada, atribuiu a descoberta à trapaça de algum forjador de milagres.1

Nada poderia ilustrar melhor o fato de que nem mesmo as pessoas mais críticas, e mais apegadas ao rigor científico, estão livres de cometer erros de apreciação sobre os fenômenos naturais. O paradoxal, nesse episódio, é que Voltaire errou justamente por fazer estrito uso da ortodoxia científica de seu tempo (quem poderia imaginar que o pico dos Andes, em algum dia remoto, estivera sob o oceano?).2

Uma diferença relevante, em perspectiva prática, é que Voltaire riu ao ouvir essa notícia. Tinha suas certezas, e era agressivo ao defendê-las. Mas já passara o tempo em que as convicções expunham à perseguição, como acontecera com Galileu (ao propor o heliocentrismo) e à morte, como acontecera com Giordano Bruno (ao afirmar a infinidade dos mundos possíveis). Efetivamente, houve época em que o pensamento poderia ser considerado um delito capital, uma ameaça ao dogma e à organização da sociedade.


Tomemos, em relação meramente exemplificativa, outras coisas que seriam consideradas impossíveis no século XVIII, em que viveu Voltaire:

– ver, através da carne, os ossos de um corpo vivo;

– ver, através dos tecidos, um feto dentro do útero;

– conhecer a composição química dos corpos celestes;

– ouvir à distância (rádio, telefone);

– ouvir e ver algo que está acontecendo à distância (televisão);

– deslocar-se sem tração animal (automóvel);

– voar (avião);

– fabricar gelo (geladeira);

– ir à lua (naves cósmicas);

– guardar, dentro de um recipiente minúsculo, todo o conteúdo de uma biblioteca (computador);

Essas coisas, que hoje em nada nos espantam, eram consideradas impossíveis no século XVIII; melhor dizendo, dificilmente seriam cogitadas, não só devido ao estado da ciência e da técnica, mas também pela pressão contrária ao livre pensamento. Para as gentes em geral – fossem pessoas comuns ou “filósofos naturais” (ainda não se havia cunhado o termo “cientista”) – elas eram não só absolutamente impossíveis, mas mesmo inconcebíveis: como alterar o que, inscrito na lei natural, ali estava como expressão de um decreto divino?

O homem, portanto, era incapaz de conceber três tipos de relativização: 

a) a ciência e a técnica conseguirão realizar, no futuro, coisas que hoje nos parecem impossíveis; 

b) mesmo admitindo como inalteráveis as leis da natureza, podemos, alterando as circunstâncias dentro das quais elas incidem, obter resultados diferentes do costumeiro; e 

c) há dimensões da realidade às quais nossos sentidos normalmente não têm acesso, mas que nos podem ser franqueadas seja por instrumentos, seja pela razão.


Vem, apropósito, esta observação de Francis Bacon, segundo o qual “muitos dos inventos já logrados são de tal ordem que antes a ninguém foi dado sequer suspeitar da sua possibilidade. Eram, ao contrário, olhados como coisas impossíveis. E tal se deve a que os homens procuram adivinhar as coisas novas a exemplo das antigas e com a imaginação preconcebida e viciada. Mas [.....]a maioria das descobertas que derivam das fontes das coisas não flui pelos regatos costumeiros”.3


A partir desses fatos, outra constatação se impõe: não obstante a diversidade das crenças, observável em diferentes estratos da sociedade, há em cada época tanto o que poderíamos designar como o senso comum (o entendimento majoritário difuso), quanto uma ortodoxia dominante. Esta assinala a fronteira entre, de um lado, o cânon científico, no qual se compreende o que se julga possível; e, de outro lado, o que está fora desse cânon: não só a superstição, mas tudo que, perante ele, não se firmou ou não conseguiu se firmar como aceitável (isto é, o que se julga impossível).

O cânon científico corresponde à soma, em determinado momento, dos conhecimentos demonstráveis sobre a realidade (ou dos conhecimentos aceitos como válidos pela assim chamada “comunidade científica”). Logo, é perante esse cânon que se coloca a indagação quanto à possibilidade ou impossibilidade de alguma coisa. Em outras palavras: identificamos o que é possível, ou impossível, diante da ordem ou do estatuto da realidade tal como o concebemos; de modo que, para nós, é possível tudo aquilo que – mesmo inexistindo atualmente – é capaz de ingressar na realidade e dela fazer parte. Portanto, podemos nos enganar, ao estabelecer tal veredito, se conhecemos erroneamente ou insuficientemente essa ordem; ou, em outras palavras, se não possuímos um mapa da realidade que nos mostre: a) aquilo que faz parte da realidade, e b) aquilo que a constitui como uma ordem, ou sistema.

Bem ponderando, percebe-se que a ciência, ao invés de um mapa, nos oferece retalhos da realidade, que não conseguimos encaixar como fazemos com um quebra-cabeças (cujas peças, em sua totalidade, estão ao nosso dispor). Assim, se não conseguirmos montar um mapa científico da realidade, como saber o que é possível?

É o filósofo – não o cientista – que, pegando esses recortes cartolinados, 

a) junta-os num desenho panorâmico da realidade; e, 

b) identificando seus elementos comuns (isto é, os pressupostos em que se baseia implicitamente o conhecimento científico), 

c) desenha um antemapa (o mapa que o cientista não enxerga, mas está por trás do seu mapa), e d) descobre a ordem que o explica (isto é, as regras segundo as quais alguma coisa pode ou não pertencer ao mapa).


Pois bem, nada nos garante que seja a única possível esta ordem atual e presente na qual vivemos, à qual tivemos acesso mercê da nossa sensibilidade, e a partir da qual: a) estabelecemos a ortodoxia dominante, b) desenhamos o mapa, e c) identificamos o que é possível. Nada nos impede de pensar que não sejam eternas e inalteráveis – como pressupõe a ciência – as leis que modelam esta ordem com a qual estamos acostumados, ou mesmo que haja outros mundos ou outras ordens possíveis.4Assim, chamemos de “possível 1” à possibilidade implicada nessa ordem; e de “possível 2” a qualquer outra que lhe seja estranha.

Sabemos que o ouvido do cão difere do nosso; que o olho da mosca difere do nosso. E assim por diante.5Se igualarmos sensação e realidade, poderemos afirmar que há ao menos tantas realidades quantos sejam os sistemas sensitivos.6

O observador, ciente desse fatos, pode concluir que: 

a) vive na ilusão; ou 

b) isso que chamou de ilusão é um tipo de realidade; 

c) os vários sistemas sensitivos têm como objeto o mesmo universo, e apenas este é que podemos chamar de realidade. Se essa realidade – a realidade básica comum a todos os sistemas sensitivos – não pode ser alcançada pelos nossos sentidos poderia ser alcançada pela razão?


Postas essas considerações, podemos estabelecer os passos iniciais de nossa investigação: a) desenhar o mapa da realidade “1”; b) responder à pergunta acima.

Ficam em aberto os passos seguintes, embora já se delineiem alguns sinais quanto ao possível “2”: a) se ele diz respeito a realidades correspondentes a outros possíveis sistemas sensitivos – que não estão presentes na “realidade 1” – ou, quiçá, a realidades independentes de quaisquer sistemas sensitivos; e b) se a razão, tal como manifestada na “realidade 1”, seria igualmente válida em todo e qualquer tipo de realidade.


SUMÁRIO


I. Introdução

II. O mapa da realidade

III. Desenhando o mapa

IV. O antemapa

V. Redesenhando o mapa

VI. Noção de objetividade

VII. O possível e o provável

VIII. Voltando ao mapa

IX. A razão e suas expressões

X. O conhecimento racional

XI. Voltando novamente ao mapa

XII. A realidade humana

XIII. A realidade espiritual

XIV. A latitude do espírito humano

XV. A necessidade moral

XVI. O formigueiro humano

XVII. O possível 2


9788564530249.jpg

________________________________________________________________________________________________________

Fundo_cinza.png

Menu

Leia um livro! E estará investindo em você mesmo, com retorno contínuo, ao longo de toda a vida.